Tempo para dar. Tempo para receber.

A Associação QE acolhe, desde o início das suas atividades, voluntários com os mais diversos percursos, interesses e nacionalidades que contribuem para a missão da Associação com o seu bem mais precioso: o seu tempo.

A QE acolhe voluntários a título individual e voluntários no âmbito de diversas parcerias estabelecidas com programas de voluntariado, como o Serviço de Voluntariado Europeu.

A sua energia, motivação e algum do seu valioso tempo são bem-vindos!

O retorno é garantido, e cedo se irá aperceber do impacto da sua presença.

O Programa de Voluntariado da Associação QE dá-lhe várias oportunidades de realmente fazer a diferença, envolvendo-se na dinâmica da associação.

Aguardamos o seu contacto. Fale connosco através do email:

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Voluntários QE

Testemunhos

Jean Geimer

A Associação QE conta com o voluntário Jean Geimer, de nacionalidade alemã, em colaboração com a Proatlântico - Associação Juvenil, através do Corpo Europeu de Solidariedade financiado pela Comissão Europeia.

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Nascido com a capacidade de me desenvolver enquanto ser com eficiência, deparei-me com sociedades e pessoas que não ajudavam grande coisa nesse sentido – imenso stress, agitação, agressividade, demarcação arbitrária e tantas manifestações de mentes instáveis.

Mas quem perceciona o mundo? Decidi mudar a minha perspetiva. A realidade tem muito mais para dar.

Não são só as pessoas com deficiência e/ou incapacidade que são capazes de deixar fluir, de apenas ser. O que de facto nos interessa? Podemos encontrar modelos de referência em qualquer lado; mas os meus relacionamentos no trabalho com pessoas com deficiência tornaram-se uma ótima referência para mim. 

Podemos aprender com qualquer situação; tudo é experiência.

A título de exemplo: a minha motivação primordial para fazer voluntariado fora do país veio de pretensões alheias com as quais me identificava – que devia enriquecer o meu currículo com experiência prática no trabalho social, demonstrar aptidões linguísticas e outras competências transversais. Mas será que isto é importante? Qual deve ser o meu foco? Também queria encontrar tempo para mim mesmo.

Tinha feito grandes esforços para encontrar uma oferta de voluntariado francófono, num país muçulmano do norte de África, em linha com os meus estudos. Uma semana antes de partir, informaram-me de que, apesar do que já tinha sido acordado, a organização que me receberia não estava a aceitar voluntários durante esse período.

Pouco tempo depois, surgiu a oportunidade de fazer voluntariado em Lisboa. “Porque não ir para o ameno Portugal?”, pensei. Sem hesitar, decidi ouvir o meu instinto e aceitei. Chegado a Portugal, descobri exatamente para onde iria trabalhar.

Vivo em Rio de Mouro desde outubro de 2019 – não é propriamente a imagem que eu tinha de Portugal. E, no entanto, encontrei aquilo por que tanto procurava.

O meu voluntariado com pessoas com deficiência e/ou incapacidade começou com muitos beijos, abraços e mais. A atenção e carinho que davam de si mesmos, entre si e para connosco, tinha absolutamente de ser retribuída na mesma medida – depressa percebi.

Entre outras, rapidamente surgiu a pergunta: “porque é que estamos aqui e qual é o nosso papel?”

Este é um espaço criado para pessoas com necessidades especiais que lhes permite, em grande parte, levar uma vida “normal”. Mas o que é que isso significa, sobretudo neste contexto? É-lhes dada uma zona de conforto para que possam aprender a sair dessa mesma zona de conforto, uma zona que está na base do crescimento durante a infância. 

Se pensarmos no facto de que todos temos as nossas necessidades especiais, então este é um espaço criado para todos por igual. Não é por acaso que quem procura mudar de vida também seja bem-vindo. Ou não é esse o cerne da questão? Que todos possam aprender com cada um, desde que os pares se vejam e se tratem com respeito mútuo e em pé de igualdade – o que também implica deixar de parte o nosso ego, os nossos problemas, especialmente quando nos é pedida estabilidade e certeza de atenção e carinho.

Acredito e quero acreditar que este lugar foi concebido com vista a dar aos portadores de deficiência mais liberdade e lucidez.

O que é uma vida normal na sociedade? Qual será a finalidade de lugares como este? Qual o tipo de pedagogia necessária e porquê?

Portanto, a nossa tarefa não é cingirmo-nos às deficiências, e restringir as pessoas com base em reivindicações pessoais ou da sociedade, para satisfação própria ou mesmo para encher o bolso.

O que é “perfeito” neste contexto, o que é importante? Será uma determinada carga de trabalho ou o tempo passado com o ser humano que está por trás?

Respeito, carinho, atenção, apoio e dedicação, onde for preciso: esta deve ser uma oferta válida para toda a gente. Qualquer pessoa capaz de dar de si deve poder fazê-lo à sua maneira – e crescer com um coração aberto. É esta a verdadeira pedagogia.

Outro aspeto importante é o relacionamento entre os responsáveis: uma família deve passar tempo em conjunto com regularidade de forma a que se possam trocar ideias e sentimentos abertamente. Frequentes causas de insatisfação devem ser mudadas ou atenuadas. Conseguem os vários membros manter-se unidos? Onde quer chegar a família? Como seria sem a solidariedade entre os membros? Quem cuida do cuidador e como? Quem recebe e quem dá? Gratidão e afeto são o mínimo que devem dar uns aos outros. E já agora: uma boa refeição levanta sempre o ânimo de um batalhão e o mesmo vale para o bom humor de uma família.

Do meu ponto de vista não existe diferença entre como eu ajo com os cuidadores e com os clientes; não há hierarquia, nem objetivo a alcançar, apenas a satisfação de sentir que eles têm tudo aquilo de que precisam.

Mesmo quando eles estão na lua, até o foguetão é passível de ser amado.

Ver como, na sociedade, e em particular em zonas protegidas criadas para o efeito, as discrepâncias internas acabam por excluir os outros; ver como os mais fracos são instrumentalizados para compensar os nossos próprios problemas, e como pessoas que não querem saber se descuram a si mesmas e aos demais é profundamente doloroso neste contexto.

Se não há necessidade de uma autoridade entre nós, então não somos desautorizados quando não nos “obedecem”. Quem é que de facto cuida? Quem sara as feridas de quem? Podemos aprender tanto uns dos outros.

Qualquer forma de agressividade para com eles é antes de mais uma ofensa ao próprio, um insulto à Humanidade em cada um de nós. Todos possuem uma certa capacidade de empatia, mas devemos saber usufruir dela. O que eles dão é atenção; o que nós devemos dar é nada menos que isso!

Seja com um abraço, um beijo ou uma risada partilhada, seja com a atenção que nos damos mutuamente, seja estirar-se no chão, ajudar ou cantar bem alto no jardim com um amigo recém-descoberto:

“We are the world, We are the children
We are the ones who make a brighter day,
so let's start giving!
There's a choice we're making
We're saving our own lives
It's true we'll make a better day,
just you and me”

Irem Kosif

A Irem Kosif é uma jovem voluntária na Associação QE, no âmbito de um projeto em colaboração com a ProAtlântico através do Serviço Voluntário Europeu, financiado pelo programa Erasmus + da Comissão Europeia.

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Olá! Eu sou a Irem e sou da Turquia. O meu país é perfeito com as suas paisagens, comida e pessoas.

Geralmente as pessoas visitam a região mais oeste ou as áreas mais mediterrânicas ou do sul mas as zonas que ficam a este e no Norte são locais espetaculares para visitar, com muita cultura e tradições. O povo turco é amável e hospitaleiro. Se visitarem a Turquia, de certeza que regressam a casa com uns quilinhos a mais. Muitas pessoas ainda ficam confusas em relação à Turquia mas devo dizer que a Turquia é muito diferente dos restantes países do Oriente.

Quando vivia no meu país, tal como muitos jovens comecei a questionar a minha existência neste mundo, e durante algum tempo senti-me inútil e até tinha algumas incertezas sobre quem eu seria realmente. O que queria para a minha vida? O que realmente me faria feliz? Como poderia ser mais feliz? Apercebi-me então que gosto de ajudar as pessoas, gosto de tentar tornar os outros mais felizes e quando o consigo, quando essas pessoas estão felizes sinto que o mundo é meu.

Por outro lado, também gosto de aprender. Aliás, adoro aprender. A aprendizagem nunca pára e é não só uma forma de exercitar o cérebro como de nos tornarmos melhores. Alguns amigos meus tinham participado em projetos do Serviço de Voluntariado Europeu e decidi fazer uma paragem na minha vida que me possibilitasse descobrir quem eu sou realmente e o que pretendo para a minha vida. Trabalhar como voluntária foi a opção perfeita para mim e trabalhar com pessoas com deficiência foi uma porta que se abriu.

Desde o dia em que comecei a fazer voluntariado na QE que tenho aprendido muitas coisas. A primeira coisa que me ensinaram e que aprendi foi ser eu mesma pois até vir para a QE tinha medo de ser eu mesma e receio de ser julgada por ser como sou. Esta é uma das coisas mais preciosas aqui – sem julgamentos alheios podemos dançar, podemos abraçar quem, quando e onde quisermos, podemos dizer o que somos e o que queremos. Aprendi que “ser humano” é normal na QE e aprendi isto e outras coisas lindas com a Olga, a Ana Luisa, o Fred, o Sebastião, o Elbinton, a Ana Cláudia, o Diogo, a Sandra e todos os outros, a minha família na QE.

A vida traz-nos sempre desafıos, mas na QE os desafios que surgiram foram diferentes. O primeiro desafio foi a linguagem, mas cedo deixou de o ser pois descobrimos formas especiais de comunicar: por vezes comunicamos através de um grande abraço ou de um pequeno gesto ou toque, por vezes comunicamos nas nossas respetivas línguas nativas, por vezes basta o silêncio, ou rir ou apertar as mãos.

Um outro desafio foi fazer amigos. No primeiro mês eu queria falar com a Olga, uma das clientes da QE, mas não era fácil. Aproximadamente durante 3 semanas todas as manhãs eu dizia-lhe “Olá!” mas ela nunca respondia e por vezes nem sequer olhava para mim. Mas um dia, sem contar com isso, quando estava a dar um passeio pelos jardins da QE, a Olga veio ter comigo e deu-me um abraço. O mundo era meu! E agora sou uma das amigas dela.

Atualmente sei que todos os desafios que eu possa enfrentar na QE serão ultrapassados e que terei sempre uma recompensa como o grande abraço da Olga. Este é só um pequeno exemplo, há muitas outras memórias e acontecimentos surpreendentes que acontecem diariamente que não consigo exprimir por palavras. Como por exemplo, eu estar a caminhar e de repente aparecer um cliente que me oferece um desenho lindo ou que me pergunta como é que eu me sinto.

Estes são os sentimentos mais importantes que fui descobrindo na QE.

Eu sei o que é amor, o que é a beleza. Todos as pessoas deveriam saber que somos todos humanos e que ninguém é perfeito. Que criamos sim, a perfeição com os pequenos pormenores nas nossas vidas. Não existem julgamentos, não existem fronteiras. Tudo está cheio de um amor que irá durar para sempre e temos de ser positivos e dar positivismo às pessoas à nossa volta. Devíamos dizer mais vezes às pessoas o quão bonitas, criativas ou inteligentes são.

Todos nós temos falta de confiança e todos procuramos o amor, mas antes de tudo devemos dar amor e coragem às pessoas.

A quem considera neste momento em voluntariado, aconselho que abram os vossos corações e mentes. Partilhem os vossos sentimentos porque a felicidade entra nas vossas vidas e depois entra na vida das outras pessoas através da partilha.

Se partilhamos o nosso amor, vamos receber o que damos. Amor.