A Associação QE considera que todas as pessoas, independentemente do seu nível de autonomia, devem ter a oportunidade de serem inseridas socialmente, visando o princípio da inclusão. Neste sentido, promove um conjunto de atividades – as Experiências de Integração SocioProfissionais (EISP) - que podem assumir uma vertente social e/ou uma vertente profissionalizante, assumindo-se desde o início como um veículo privilegiado de contacto dos clientes da QE com a comunidade.

Na prática, os clientes da QE são desafiados para participarem nestas experiências em ambientes profissionais autênticos, relacionando-se sem entraves nestes contextos, depois de devidamente preparados para o efeito.

Semanalmente os clientes realizam atividades nos diversos locais protocolados, cumprindo um conjunto de objetivos traçados entre a QE, o local de acolhimento e o próprio cliente. Pretende-se que os clientes estejam integrados de forma autêntica, realizando tarefas funcionais indispensáveis à atividade de cada empresa parceira de acolhimento.

Consoante o programa de desenvolvimento de cada cliente, são desenvolvidas EISP de acordo com as suas necessidades e características pessoais.

Benefícios para os clientes QE incluídos em EISP

  • Reforço do sentimento de auto-realização e a sua auto-imagem; 
  • Potenciar de forma sustentada para a melhoria da sua qualidade de vida e independência;
  • Desenvolvimento, em contexto real, das competências sociais e socioprofissionais adquiridas pelos clientes;
  • Promoção da sua socialização e criação de redes sociais de suporte.

Entidades parceiras das Experiências de Integração SocioProfissional

  • Bimbo Donuts Portugal
  • Bombeiros Voluntários de São Pedro de Sintra
  • Clínica Implanto Sorriso
  • Colégio “Amor de Deus”
  • Creche “Sempre em Flor”
  • Frutaria “Frescos da Horta”
  • Restaurante “Bitasco”
  • Restaurante “Colher de Pau”
  • Restaurante “Lugar dos Sabores”
  • Supermercado Supercor - Beloura (Grupo El Corte Inglês)
  • Queijadas D. Estefânia
  • Churrasqueira “O Rei das Gaitadas”
  • Lar Santo António Abrunheira
  • Textimalhas
  • Cozinha com alma
  • Cooperativa “Quinta dos 7 Nomes”
  • Loja “India that Wears you”

Testemunhos

EISP na Bimbo Donuts Portugal

Desde finais de 2015 que a Bimbo DonutsPortugal (em Mem-Martins) acolhe, duas vezes por semana, 5 clientes da QE em contexto de Experiência de Integração SocioProfissional (EISP).   

A EISP decorre na zona do armazém e inclui diversas funções nesse local. 

Partilhamos o testemunho do Senhor Eduardo Santos, Ajudante Fiel de Armazém e colaborador da Bimbo Donuts, que acompanha os clientes da QE que integram esta EISP:

Image

A experiência com esta Integração tem sido bastante enriquecedora. 

Verificamos que o restante pessoal da fábrica que, de uma maneira ou outra, se depara com os clientes, os aceita bem e os considera.

Os clientes são capazes de desempenhar a função em pleno e é notória a evolução nas pessoas conforme vão ganhando experiência na execução das tarefas. Conhecem e cumprem as regras internas em termos de fardamento e do espaço a que estão alocados. 

De acordo com a minha perceção, e do que conheço dos Clientes QE que colaboram connosco, há 2 clientes de 2ª feira que claramente podem ser integrados na vida profissional com o devido acompanhamento: Frederico e António. 

Consideramos um benefício interno esta EISP, seja em termos de apoio ao trabalho realizado (apesar de ser só 30min às 2ªs e 4ªs) como na consciencialização dos colaboradores Bimbo Donuts e forma como percepcionam a deficiência mental. 

Se possível pretendíamos continuar com esta colaboração e eventualmente receber e integrar outros clientes.

- Eduardo Santos, Bimbo Donuts Portugal

EISP na Creche Sempre em Flor

A Experiência de Integração Socioprofissional (EISP) QE na Creche Sempre em Flor (Mem-Martins) teve início em 2017 e tem possibilitado à cliente da QE integrada nesta EISP colocar à prova as suas competências sociais, comunicacionais e relacionais e ampliar a sua rede social de suporte. 

A EISP que decorre na Creche Sempre em Flor tem também promovido a oportunidade de interação, enriquecendo e preparando os seus intervenientes para um meio inclusivo e harmonioso.

Partilhamos o testemunho de duas educadores da Creche Sempre em Flor que acompanham a nossa cliente, Maria, durante a sua EISP:

Image

A Maria Integrou-se de modo a que se sentisse e se fizesse sentir como mais um elemento do grupo. 

Para o grupo (crianças dos 4 aos 5 anos) foi importante ter a Maria em sala. Como educadora sempre lhes transmiti que embora a Maria fosse “diferente” era igual a eles, era uma pessoa com direitos e que como todas as outras merecia o nosso respeito.

O grupo aceitou-a bem, protegiam-na e até demonstravam uma maior tolerância para com ela do que para com os colegas de sala. 

As crianças que mais protegiam, acarinhavam e brincavam com a Maria eram as crianças ditas mais agitadas e conflituosas. Com a presença da Maria as suas atitudes eram completamente diferentes, logo a sua presença foi muito importante para estas crianças em particular. 

Ter uma pessoa com NEE em sala é uma mais-valia que nos permite vivenciar valores como o respeito, a tolerância, a amizade…

Para mim, adulta e educadora fiquei mais enriquecida – o importante é proporcionar este relacionamento entre as crianças e a pessoa que vem de fora. A Maria trouxe-me paz, alegria, muito carinho e ensinou-me a valorizar ainda mais as crianças e os adultos com qualquer necessidade educativa especial. 

Penso que para a Maria é positivo sair da sua zona de conforto e para as crianças é igualmente positivo principalmente pelo respeito que aprendem a ter para com estas pessoas.

- educadora Conceição Andrade, Creche Sempre em Flor

 

Como educadora da Sala das Margaridas, considero que na educação das crianças se deve levar em conta a individualidade de cada um, respeitando as diferenças, os interesses… no fundo as características de cada um onde valorizo a cooperação e o desenvolvimento de interações positivas. 

O trabalho de cooperação proporciona as interações positivas onde as crianças desde cedo compreendem e promovem a amizade e a interação social respeitando as diferenças com naturalidade. As crianças ao interagirem com a Maria interiorizam estes pressupostos tornando-se mais tolerantes e com respeito pelo outro.

Aprender a olhar para o outro e acreditar no seu potencial irá fazer crescer crianças mais solidárias, tolerantes e disponíveis. 

Ser cidadão do século XXI implica praticá-la todos os dias, sendo que na Creche Sempre em Flor, a inclusão tem sido praticada com sucesso.

Ao refletirmos em grupo com as crianças da Sala das Margaridas sobre a Maria, registámos as seguintes afirmações: 

- Gosto dela porque brinca comigo.

- É amiga.

- É muito querida, desenha e dá-me abraços.

- Cola papelinhos, dá-me abraços e beijinhos.

- Ela brinca sempre comigo.

- É amiga, é muito amiga.

- Ela é linda… gosta de fazer trabalhos.

- Gosto dela, gosto que venha cá à escola brincar.

No final desta reflexão, uma criança refere “Eu gosto que a Maria venha cá porque faz coisas lindas…”

Estas foram algumas frases sinceras e puras das crianças da sala, algumas das quais já tinham convivido com a Maria no ano anterior.

- educadora Conceição Cruz, Creche Sempre em Flor

 

O nosso agradecimento à Creche Sempre em Flor, sua direção e equipa, pelo acolhimento e acompanhamento da Maria durante a sua Experiência de Integração Socioprofissional.

EISP no SuperCor da Beloura

Desde 2018 que o El Corte Inglés integra a lista de parceiros da Associação QE no âmbito das Experiências de Integração SocioProfissionais (EISP), através do acolhimento semanal de duas clientes da QE no Supercor da Beloura. 

Com prazer partilhamos o importante testemunho, desta entidade detentora do Selo de Entidade Empregadora Inclusiva, relativamente à EISP que acolhe de forma tão inclusiva. 

O nosso agradecimento ao El Corte Inglés que de forma recetiva e disponível acolhe os clientes da QE e partilha da nossa visão: possibilitar que todos, independentemente dos seus desafios e dificuldades, tenham um projeto de vida individualizado, integrado na comunidade.

Image

Entidade Empregadora Inclusiva

Foi em 2017 que O El Corte Inglés recebeu o Selo de Entidade Empregadora Inclusiva. Esta distinção acontece porque desde o início partimos do pressuposto que a vida em sociedade implica, cada vez mais, a nossa ação enquanto empresa, principalmente em relação aos mais carenciados e aos mais excluídos, ou seja, aqueles que estão em situação de desvantagem. 

Assim, hoje em dia, a valorização dos colaboradores com deficiência, o envolvimento em parcerias e projetos da comunidade, o acompanhamento de trabalhadores incapacitados, a adoção do conceito de serviço inclusivo e a participação em projetos que visam promover a adoção de práticas inclusivas são, para nós, uma realidade absolutamente normal e presente no nosso quotidiano. 

Temos presente que ter um trabalho é primordial na vida de qualquer ser humano, vai além da manutenção financeira, está relacionado com a realização pessoal, com o sentir-se útil e encontrar sentido para os seus dias.

No El Corte Inglés a integração de pessoas com deficiência no mercado de trabalho é sempre apoiada por ações integradas com as instituições parceiras e, nesse sentido, colocamos a nossa experiência em recursos humanos e o conhecimento que temos do mercado de trabalho ao serviço dessas instituições com as quais trabalhamos.

É, no entanto, essencial por parte dos recursos humanos da empresa, organizar juntamente com as instituições, ações de sensibilização para os departamentos que acolhem pessoas com deficiência. Estas ações visam preparar as equipas que vão estar em contacto com realidades diferentes da sua, pois no relacionamento com determinadas patologias, existem particularidades das quais é preciso ter consciência e estar preparado para lidar com elas no dia-a-dia de trabalho.

Temos, neste momento, 20 instituições parceiras e, no âmbito da inclusão, temos duas linhas de intervenção: por um lado, trabalhamos com populações de difícil empregabilidade por questões sociais, de baixa escolaridade ou desemprego prolongado. Por outro lado, trabalhamos a integração de pessoas deficientes através de diferentes modalidades; além de contratarmos diretamente, também as integramos em estágio ou CAO (Centro de Atividades Ocupacionais).

É o caso da Ana Raquel e da Ana Cláudia; clientes da Associação QE Quinta Essência) que estão desde abril 2018 no nosso Supercor da Beloura em contexto de CAO. Têm a colaboradora Tânia Matos como sua tutora, vamos saber a sua opinião:

 

Tânia, esta experiência mudou alguma coisa na dinâmica da sua equipa?

Apesar de haver muita discriminação neste âmbito, a realidade é que eu não senti grandes mudanças na dinâmica da equipa. Acho que todo este processo de integração foi facilitado pois quer a Ana Raquel, quer a Ana Cláudia gostam muito de trabalhar no supermercado e estão muitíssimo motivadas. São duas jovens que entendem tudo o que lhes é transmitido e esforçam-se constantemente por corresponder ao que lhes é solicitado.

Considera importantes estas ações? Porquê?

Sim, são úteis para eles, para nós e para os clientes. Tive uma situação com um cliente habitual (que eu sei que tem uma filha com trissomia) que fez questão de abordar diretamente uma delas pedindo-lhe uma informação (sobre arroz), piscou-me o olho, e lá fomos os três à secção ajudar o cliente com o produto.

Hoje em dia, os nossos clientes já não estranham a presença delas na loja, nem de outros colegas de outras instituições, interagem com elas e elas próprias já estão mais à-vontade e confiantes no seu trabalho. Já questionam mais sobre o serviço e têm mais autonomia em algumas tarefas. A relação com os outros colegas também tem vindo a desenvolver-se, pois a tutora pode nem sempre estar presente e, por isso, toda a equipa está preparada para os apoiar.

Numa frase como descreveria esta experiência?

Está a ser uma experiência única e motivadora. Fez-me crescer como pessoa e estar mais atenta ao que se passa á minha volta. Somos diferentes, mas ao mesmo tempo somos iguais.

Em jeito de balanço e de acordo com a nossa prática, podemos dizer que a inclusão faz-se com sucesso se conseguirmos trabalhar três pilares complementares: cultura de inclusão na empresa, o envolvimento de forma permanente e continuada das Instituições parceiras e a implementação de um bom programa de tutorias/acompanhamento.